08 junho 2007

O Espectáculo vai começar

E fomos nós para o Porto. A Maria, o João, a mamã Guida e o papá Ivo.
Ficámos na terceira fila, o que possibilitou que os dois conseguissem ver bem o que se estava a passar e a observar todos os pormenores...
-"Mamã, poque é que a Leopoldina não fala? Ela quase não mexe a boca..."

Do princípio ao fim, tanto um como outro não pararam de dançar.
O João Henrique estava completamente encantado. Dançava, batia palmas,e levantava os bracitos a aplaudir, de cada vez que acabava uma canção. Confesso que me surpreendeu. Não imaginei que iria prestar tanta atenção...
A Maria também não parou de cantar, uma vez que o DVD já foi visto mais de mil vezes...
-"Coitadinha da Tatauga bebé..."

No intervalo não queria sair com medo que não pudesse regressar para ver a segunda parte.

Pormenor:
À cautela, e para não perder pitada, pediu em casa que queria levar fralda, para depois não ter que ir à casa de banho...

06 junho 2007

Ainda o Dia Mundial da Criança

Diante de uma crianca
Como fazer feliz meu filho? Não há receitas para tal. Todo o saber, todo o meu brilho de vaidoso intelectual vacila ante a interrogacão gravada em mim, impressa no ar.
Bola, bombons, patinagem talvez bastem para encantar?
Imprevistas, fartas mesadas, louvores, premios, complacências, milhões de coisas desejadas, concedidas sem reticências? Liberdade alheia a limites, perdão de erros, sem julgamento, e dizer-lhe que estamos quites, conforme a lei do esquecimento?
Submeter-se a sua vontade sem ponderar, sem discutir? Dar-lhe tudo aquilo que há-de entontecer um grão-vizir? E se depois de tanto mimo que o atraia, ele se sente pobre, sem paz e sem arrimo, alma vazia, amargamente?
Não é feliz. Mas que fazer para consolo desta crianca? Como em seu intimo acender uma fagulha de confianca?
Eis que acode meu coracão e oferece, como uma flor, a docura desta licão: dar a meu filho meu amor. Pois o amor resgata a pobreza, vence o tedio, ilumina o dia e instaura em nossa natureza a imperecivel alegria.

(Carlos Drummond de Andrade)

Mais uma ida ao hospital

Desta vez foi com o João Henrique. Madrugada de segunda-feira, 3 horas da manhã, 40 graus de febre que não queriam ceder, acompanhadas de diarreia, que deitou fora o Ben-U-Ron.
Estabilizaram a temperatura, recomendações para vigiar, no dia seguinte em casa, e a partir da hora do almoço a febre desapareceu.
Serão os quatro dentes que estão a nascer em simultâneo?

Desilusão...

-"Foi só isto? Eu queia te feito mais coisas..."
A Maria à saída do hospital, depois de termos lá voltado por causa do derrame no olho, onde apenas lhe viram a córnea...
(problema solucionado e o olho já voltou ao normal)

29 maio 2007

Foi por causa...

... de um derrame que a Maria tem no olho direito, desde quinta feira passada, que ontem fomos ao Hospital. Ao de Aveiro, que ao de Águeda fui uma vez, por engano e, onde me perguntaram, se achava que o hospital era sitio para levar um bebé de 4 meses, que "só" estava com a cara completamente encarnada e inchada, depois de ter comido a primeira papa! Está bem que eu nem sou mãe de primeira viagem, e sei que corremos todos o risco de apanhar qualquer coisa má nos hospitais (sei-o também por experiência própria, que já lá apanhei uma gastroenterite), mas havia sempre a hipótese de a criança me ter feito algum tipo de alergia à papa. Mas pelos vistos isso era apenas um pormenor sem importância para a médica que observou o João Henrique. É porque não era com o filho dela, senão eu queria ver...

Ao princípio ficou quieta ao meu colo, envergonhada. Com o tempo de espera (que é sempre uma eternidade) foi ficando destemida, e quando dei conta, já tinha jogado com uma bola improvisada, feita de toalhas de papel; já tinha brincado à roda, e estava naquele momento a chamar o André (um menino também à espera, quase com o dobro do tamanho dela) para "a mamã".

Só me apercebi da brincadeira, quando reparei na mãe do André a rir à gargalhada. Dirijo o meu olhar para a minha Maria, e lá estava ela, de braços esticados:
-"Vá Andé, vem à mamã, vem? Anda pó meu colito, anda , anda?"

Passado uns minutos o entretenimento passou para o lado musical. Na minha tentativa para que se acalmasse e, parasse de andar aos pulos no meio das outras crianças, mais aflitas e prostradas sugeri que fosse cantar uma cantiguinha à menina que estava sentada ao meu lado... O que eu fui fazer...Só faltou cantar o Malhão. Parecia um programa de discos pedidos,e ela no seu melhor a dar o espectáculo musical. Felizmente fomos chamadas ao fim da sexta cantiga.

Já no consultório começou o peditório de luvas, pois sempre que foi ao hospital, ofereceram-lhe uma luva. Foi observada e limparam-lhe o olho. Felizmente não tinha nenhuma lesão. Chorou no meio disto tudo, pediu "a pêpê" , agarrou-se a mim e eu agarrei-me a ela. Depois da consulta, e enquanto lhe vestia o casaco (que este tempo não há maneira de aquecer de vez...) pergunta:
-"E então? Quando é que vamos ao raio X?"*
Se entretanto não houver melhoras, quinta feira de manhã, estamos lá outra vez...


* Por acaso, das ultimas vezes que foi às urgências houve necessidade de fazer radiografias. Agora tem a ideia que sempre que vai ao hospital, faz um raio x.

28 maio 2007

Os segredos...

Estava eu a apertar-lhe os cintos da cadeira do carro, depois de uma hora de parque e baloiços, quando me diz:
-"Mamã, queio dize-te um seguedo. Dá cá a tua oelha, dá cá! ... Gosto muito de ti, gosto muito de ti, gosto muito de ti!"

Sexta feira passada, depois de jantar, enquanto andava na brincadeira com o pai e o irmão (eu na Maia, a dar aulas...)
-"Ó meu papázinho pequenino, anda cá, anda cá! Ponto, ponto...Gosto tanto de ti meu papázinho..."

25 maio 2007

Esta semana...

...tem sido uma correria diária. Todos os dias ao deitar penso no que não consegui fazer, e isso não me deixa adormecer. Penso que deveria ter conseguido realizar todas as tarefas a que me tinha proposto e sinto uma sensação de inutilidade. Dá-me vontade de me levantar outra vez da cama e ir fazer qualquer coisa. Sobretudo dá-me vontade de ir embalar a tralha para levar já para a casa nova, mas depois penso:
-"Guida Maria (não sou Maria, sou Isabel) mas o que é que vais fazer à uma da manhã, já com toda a gente a dormir em casa? Acordar toda a gente a embalar coisas, de que ainda precisas aqui e que depois, não vais conseguir encontrar porque está tudo dentro de caixas?"

Na segunda feira, fui ao funeral do pai de um grande amigo. Penso que isso também mexeu um pouco comigo... Trouxe-me à lembrança uma dor que tem andado adormecida. As saudades que tenho do meu pai. A dor de ele ter partido quando estava grávida da Maria. A pena de ele não ter ficado connosco ao menos para conhecer a neta. Lembro-me quando a médica dele me contou, que ele lhe perguntava muitas vezes se ainda tinha tempo de conhecer o neto (era o que ele gostava). No dia do seu funeral tinha marcada a minha ecografia morfológica. Quando a realizei, alguns dias mais tarde, fiquei a saber que afinal era uma neta...

É horrivel vermos a doença levar aqueles que mais amamos, sem poder enfrentá-la e lutar com ela de igual para igual... É injusto termos que dizer adeus, quando temos vontade de abraçar, mimar, brincar, correr e rir com esse alguém. O meu pai tinha um sentido de humor óptimo!

Os sentimentos, as lembranças, os cheiros, as gargalhadas, esses ficam para sempre no coração! A imagem... no olhar!

As nossas (verdadeiras) férias de Verão 2020

Uma vez que estávamos de praias fechadas e limitações nas deslocações pelo país pouco mais pudémos fazer do que ficar em Tanger. Para variar...